Ritmo nosso de cada dia

eu me sentia um ser de outro mundo vendo o ritmo de colegas do colégio. na maioria das vezes, enquanto liam algum exercício e o resolviam, eu estava tentando entender o que o enunciado da atividade queria dizer.

ainda nos episódios escolares, lembro que num desses momentos (não) esperados para a chegada do boletim com as notas do bimestre eu tinha, daquela vez, ficado em seis disciplinas de uma vez só. seis. não sei o que houve, mas não foi bom. herdei ansiedade, medo, baixa autoestima. me senti estúpida. mas, passado tudo isso, principalmente a forma como recuperei todas as notas, se eu pudesse chamaria a Laryssa daquela época para dizer algo assim: “amiga, seque isso que você chama de lágrimas porque você é incrível em tanta coisa — só falta mesmo é reparar”.

por aqui, eu amava literatura. eu amava cada assunto, poema, texto. sei lá, escrever era algo que eu gostava de fazer. meu coração estava ali nas folhas, na forma como eu refletia sobre as prosas góticas brasileiras escritas por Álvares de Azevedo em Noite na Taverna, por exemplo. eu gostava de reparar como as palavras se encaixavam no texto e traduziam as coisas que eu sentia.

não sei em qual momento eu pensei que estivesse errado gostar das palavras e odiar os cálculos, só que hoje, se eu visse os professores de literatura e português diria que tudo permanece igual. ótima notícia. continuo uma leitora lenta que ama escrever, desenhar e falar sobre as coisas. ainda bem.

entre algas e Newton, eu escolho as letras.

artes e outros sentimentos / www.laryssaandrade.46graus.com

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