Os tons de Anna Atkins

Fotógrafa pioneira registrou o seu mundo (sem câmera)

sempre que buscamos sobre a mulher e a imagem em estudos os nossos nomes vêm acompanhados da tutela masculina. nossos nomes estão ancorados aos olhos de julgamento de homens. quando pausamos o nosso tempo para acolher os documentos históricos no colo eles sempre nos dizem que mais mulheres estiveram por ali, mas nem sempre foram registradas. esse fator aponta para o tanto que fazer imagem, escrita e arte, num geral, sempre será um ato político.

foi movida por estudos e vivências que as palavras de hoje saltaram das folhas de rascunho e quiseram se encontrar, neste espaço, com o oceano sensível criado por Anna Atinks, pioneira na fotografia.

a inglesa sempre esteve a frente do tempo em que viveu. sendo botânica, criou centenas, milhares de imagens por meio da cianotipia, um modo de impressão que não requer o uso de máquinas e câmeras, mas sim, a mistura de elementos químicos que resultam nesse azul (foto acima).

o pai de Anna foi o seu maior incentivador e logo ela aprendeu sozinha a dominar o método que a faria ser conhecida como a primeira mulher que fotografou na história. assim, por conta própria, em 1843, ela publicou o livro Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, todo ilustrado e escrito à mão, estando nele presente mais de 300 cianotipias sobre o assunto que Atkins mais amou produzir: as plantas.

a sua força para a criação de uma obra pioneira foi além, já que por uma década a fotógrafa dedicou a sua vida para criar imagens e auxiliar pessoas que trabalhavam com plantas, mas não tinham referências para se basear.

apesar de a arte de Atkins ter sido resgatada somente na década de 1970, é inegável que tudo que ela criou pôde inspirar gerações.

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