Aquela música do Yann Tiersen

O quesito ser ótima para responder perguntas sobre coisas favoritas passou bem longe de mim. nem sei se esse quesito existe, mas sofro para escolher o nome de algo favorito. Filmes, séries, novelas. Não sei responder. eu simplesmente travo. Minha cabeça começa a processar muitas coisas ao mesmo tempo, e logo solto: “não sei, tem tantas coisas que gosto”. Péssima resposta, eu sei. Tem nome pra esse tipo de esquecimento? Se sim, eu tenho.

Por vezes fico assistindo algum programa legal e o convidado pensa tão rápido numa resposta que fico impressionada por tamanho feito. Eu provavelmente pensaria numa resposta legal alguns dias depois — e talvez nem fosse nada tão legal assim.

Mas nesse sentido todo existem duas citações das quais não sei duvidar ou esquecer. Sei qual é a minha música favorita, assim como sei qual é o meu livro preferido. Se me perguntam qual é a minha música eu digo: “é uma daquele músico francês, o Yann”. A música se chama A quai, algo como “o cais” em português. Não faço ideia do que Yann pensou ao escrevê-la. Não sei o verdadeiro significado, mas com o tempo a vida foi me mostrando que o significado de algo, principalmente das canções, parte muito do nosso lugar de vivência primeiro. o sentido das coisas parte do nosso coração. É como se eu estivesse nas nuvens quando escutei essa canção pela primeira vez, talvez explique esse sentimento de pertencimento sempre que ouço.

Me imagino assim: ouvindo A quai chegando numa cidade nova que resolvi visitar. Câmera na mão, algo bem clichê, mas não poderia ser de outro jeito. Aí eu caminharia pelas ruas, uma espécie de flânerie pra ver a vida passar. O meu pescoço doeria, eu sentiria a minha pressão cair. Sentava, respirava, contava até dez, e colocaria a música do começo.

Le vent nous portera.

artes e outros sentimentos / www.laryssaandrade.46graus.com

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