“A escrita lhe pertence porque nunca deixou de lhe habitar”

já contei essa história algumas vezes, mas quando eu tinha doze anos tive uma professora de português que me machucou muito. e bem, não só a mim, mas todos os meus colegas de turma. ela acreditava que a punição era a melhor saída para absolutamente tudo (e se orgulhava disso). da criação de competições de beleza na turma ao ódio porque conseguimos vencer um concurso mega importante da escola, e por aí vai.

tenho poucas lembranças boas dos tempos em que ela me ensinava.

dentre essas coisas legais, lembro que ela realizava algumas atividades práticas sobre escrita. eu amava. alguns mundos surgiam na minha imaginação e eu amava escrever. lembro de ir para o quadro escrever (várias vezes), e lembro de ela me punir sem motivo algum também. tanto que, em algum momento da vida, lembrar dessas coisas me atrapalhou demais. principalmente porque eu não sabia dizer aos meus pais sobre nada que acontecia, na verdade, eu nem sabia o que eu sentia.

em uma dessas atividades, ela nos pediu para escrever uma manchete de jornal. algo que viesse de dentro de nós. então escrevi sobre maternidade. sobre uma mãe que paria após anos de espera. não sei, foi algo que veio para a folha. algo que nasceu ali. e no instante em que a professora me leu, ela me olhou dos pés a cabeça. em silêncio. devagar, perguntou: “foi você mesma quem escreveu?”. eu acenei com a cabeça que sim. ela ficou em silêncio. pela primeira vez ela ficou sem palavras.

_ o trecho do título faz parte do livro “Como se encontrar na escrita: o caminho para despertar a escrita afetuosa em você”, da Ana Holanda. a leitura foi recente e o texto extraído do meu blog pessoal.

artes e outros sentimentos / www.laryssaandrade.46graus.com

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